Não é para construir e proporcionar capelas, igrejas e catedrais na pátria onde os Cristãos professos adormecem com mensagens eruditas, orações estereotipadas e realizações musicais artísticas, mas erguer igrejas vivas de almas entre os destituídos, capturar homens das garras do diabo e arrebatá-las das maxilas do inferno, alistá-las e treiná-las para o Senhor Jesus, e fazer delas um Exército de Deus Todo-poderoso.
Mas isto só pode ser conseguido por uma igreja ardente, sem convencionalismos, desalgemada pelo Espírito Santo, onde nem a Igreja nem o Estado, nem o homem nem as tradições sejam adorados ou pregados, mas somente Cristo e Este crucificado.
Não posso fazer ouvidos moucos ao clamor dos que clamam pelo evangelho e suplicam por ensinadores. Se não lhes posso enviar ensinadores porque não os há, pelo menos eu posso colmatar o hiato.
Se não sou tão eficiente quanto os mais jovens, posso, apesar disso, e ainda assim, ser mais eficiente do que um ausente, ou ninguém. Se outros falham em ouvir e responder a estas enormes súplicas de homens pecadores que vão para o inferno, mas desejam conhecer o
caminho para o céu, pelo menos a minha presença pode assegurar-lhes que ainda há alguns que, para salvá-los, não se importarão de dar a sua vida.
Nunca nenhum apelo por fundos foi alguma vez realizado, nem colectas tiradas em reuniões, nem mealheiros colocados nas entradas dos lugares de culto, nem nenhum outro meio que estimulasse as ofertas foi usado, tal como vendas de obras realizadas, bazares, etc. A obra foi iniciada e levada a cabo numa confiança absoluta na fidelidade de Deus, que prometeu, «Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas».
A base missionária não era responsável em qualquer sentido pelo sustento dos missionários; era um mero canal de suprimento; nem sequer se preocupavam se os montantes enviados para o campo missionário eram grandes ou pequenos; os que ali serviam não sentiam nenhum peso de responsabilidade quanto a isso, pois tratava-se duma questão apenas entre o Senhor e o servo, o Pai e os filhos.
Não havia salários fixos, nem pensões ou mesadas, para qualquer dos campos missionários.; o montante apurado em cada mês era enviado para cada um dos obreiros
dividido em partes iguais.
Os últimos 5 anos da vida de Bwana ( chamavam-no Bwana Mukubwa - Grande Chefe Branco) foram empregues, numa forma cada vez mais crescente, a salvar as almas e a conduzi-las ao enchimento do Espírito Santo, incitando-os a combaterem pelo Senhor Jesus. Parece haver apenas um versículo que caracterize aqueles anos: «o zelo da Tua casa me devorou».
As coisas que normalmente ocupam um largo espaço na vida humana eram reduzidas ao mínimo absoluto ou completamente ignoradas; comida, apenas um prato cheio a horas incertas; sono, apenas 4 horas em 24; feriados, nem um único em 13 anos; conforto, um pouco mais abaixo será descrita a sua "casa"; vestuário, um casaco e uma camisa de caqui, calções e meias, tanto aos domingos como dias de semana; livros, praticamente apenas a Bíblia.
Ibambi será sempre conhecida como a casa de Bwana no coração de África. Ele vivia numa palhota circular em que as paredes eram feitas de bambu e lama seca. Havia nela cerca de 7 ou 8 mantas de caqui. A sua almofada era feita de lona. Ao pé da cama tinha uma mesa improvisada que estava cheia de medicamentos, papel, leite, tesoura, lápis, etc.
Era seu costume usar uma Bíblia nova todos os anos a fim de nunca usar as velhas notas e comentários, e para partir para a Escritura sempre com uma nova frescura. O seu quarto, sala de jantar e sala de estar era uma divisão única. Quantas reuniões se realizaram ao pé daquela cama!
Quantas conversas bem nocturnas e bem matutinas se fizeram ali com missionários e nativos que dali saíam para viver uma nova vida para Deus! Aos pés da cama havia uma pequena lareira de barro. Havia lá um rapaz "o seu rapaz" que, durante anos, o assistiu. As coisas começavam a mexer-se entre as 2h e 30m - 3h 00m. Seu assistente despertava como um despertador. A primeira coisa que ele fazia era acender o fogo para aquecer a água a fim de fazer um chá. Entretanto Bwana acordava. O chá era-lhe entregue e o rapaz voltava a dormir.
Bwana pegava depois numa Bíblia e ficava ali a sós com Deus. O que se passava entre eles naquelas horas silenciosas era conhecido algumas horas depois de todos os que tinham ouvidos para ouvir.
A reunião com os nativos, de manhã, raramente durava menos de 3 horas, quando Bwana a dirigia. A reunião de oração com os brancos à noite era entre as 7h e as 9h-10h p.m..
Para as suas reuniões ele não precisava mais do que aquelas primeiras horas da manhã. Ele não se preparava. Ele falava com Deus e Deus falava com ele, e fazia a Sua Palavra viver nele. Ele via o senhor Jesus. Ele vivia homens e mulheres aos milhões a caminharem para o inferno.
Quanto à preparação ele dizia que tudo o que uma pessoa precisava era ficar a sós com Deus e ficar tão incandescente que a língua se tornasse numa brasa viva para falar do evangelho.
C.T.Studd
(fundador da Heart of Africa Mission)
(fundador da Heart of Africa Mission)