Aviva ó Senhor, a Tua obra!

Esta semana estive refletindo sobre a igreja nos últimos cem anos,
sobre o movimento pentecostal. Comparando história com história,
passado e presente me encontrei completamente insatisfeito com o que, para mim, resultou dessa viagem de volta e ida.

Me deparei insatisfeito com o nível de espiritualidade que encontrei, não me excluo dessa análise. Não achei parecida com os relatos que tive acesso, a nossa vidinha atual. Achei-me parecido mesmo com pessoas religiosas que frequentam suas liturgias, de domingo ou outros dias, por simples obrigação.

Gente religiosa com medo da condenação.

Insatisfeito por ler tantos relatos de milagres que pareciam uma
bendita rotina na vida d'aqueles sobre quem escrevemos e a
presente escassez dos mesmos - para muitos apenas notícias de algo distante.

Insatisfeito por não presenciar crentes sendo batizados diariamente com o Espírito Santo. O que já foi uma rotina na vida da igreja tornou-se uma excepcionalidade ligada a grandes movimentos - deixou de ser a doce rotina dos cultos de oração dirigidos por qualquer pessoa da congregação.

Insatisfeito com a medíocre vida de oração que apresentamos ao
Senhor. Nossa litúrgica oração tem sido constituída de pedidos,
ordens e delegações para que o Senhor as realize. Não temos
apresentado, pelo menos não transparece, a doce alegria da
comunhão secreta com o Senhor - o quarto de porta fechada.

Insatisfação estampada é o que se observa nos cultos, nas
reuniões onde quer que nos encontremos, oficialmente. É só
observar como depois de transcorridos alguns minutos do culto as
pessoas começam a consultar o relógio, desejando que trabalhem
mais depressa.

Insatisfação por perceber que instituições eclesiásticas não se
importam se os seus candidatos ao santo ministério tiram nota um em ética, desde que na média sejam aprovados. Nota 1,0 em ética - você não leu errado.

Insatisfação por com rara frequência ouvir dos púlpitos das nossas igrejas temas tão antigos como a própria palavra de Deus, a Bíblia Sagrada - arrependimento, santidade, batismo no Espírito Santo, abandono dos padrões comportamentais do mundo secular, oração e muitos outros que ao longo do caminho foram abandonados pela incompatibilidade pessoal dos ministrantes em anunciá-los. Daí a solução encontrada: substituí-los por temas importados da devastadora teologia da prosperidade e seus congêneres afins.

Insatisfeito com tudo isto, como Habacuque me encontrei clamando "Aviva ó Senhor a Tua obra".

E acrescentei: começa primeiro em mim.

(pb) Robespierre Machado