Navegando na rede ancorei na página da Voz dos Mártires e é de lá que vem a matéria que posto hoje. Lendo-a fui tomado por uma certa apatia mesclada com indignação e perplexidade. Já conhecia parte da história do Vins (foto) pelo filme Prisioneiros da Fé e outros relatos. Bem, minha perplexidade se dá a partir da seguinte constatação: Enquanto nos debatemos em querelas eclesiásticas sobre o que pertence a quem - o direito de possuir - milhares de irmãos em todo mundo, hoje como ontem, confirmam seu testemunho com o próprio sangue enquanto evangelizam.
Tenho estado pensante quando ao legado espiritual que estou construindo e que transferirei aos meus filhos. Preocupa-me também o legado construído por minha igreja, afinal se pertenço a um grupo inevitavelmente serei confundido, para o bem ou para o mal, com suas ações e resultados mesmo que pessoalmente não tenha contribuído com a construção de tal herança.
Nas minhas perplexidades não posso deixar de refletir comparativamente pois enquanto homens e mulheres, gente de todas as idades, se embrenham na aridez do sertão nordestino, na gelidez climática e espiritual da Europa e em áreas de perseguição arriscam a vida levando a mensagem do evangelho em busca de almas cá estamos nós sentados em interminavéis e monólogas reuniões ouvindo sobre vereditos e prognósticos jurídicos como se houvesse alguma relação entre fé, vocação, ministério e isso. Em cada reunião temos sistematicamente sido expostos a exposições jurídicas e deliberações de magistrados públicos de forma proporcionalmente inversa a própria Bíblia Sagrada.
Sinto-me envergonhado diante D'Aquele que me chamou ao Seu serviço. Não sei o que Lhe falar sobre tudo que está a acontecer no ambiente eclesial em que sirvo, entretanto insisto em orar pelo bem da minha igreja o que para mim significa orar por todos que nessa cidade, estado e país caminham debaixo da bandeira assembleiana. É o que sinto.
Fique agora com o relato sobre a família Vins e suas preciosas lições para nós, hoje.
Fique agora com o relato sobre a família Vins e suas preciosas lições para nós, hoje.
Boa leitura
Pr. Robespierre Machado
“É uma grande bênção quando os pais que dão aos seus filhos a luz apontam-lhes também a Cristo! (…) E se os pais são achados dignos de sofrer por Cristo e, agrilhoados, de beber até o fim o cálice da morte, então para seu filho ou filha seus feitos de fé (…) os chamarão a ser fiéis ao Senhor”, disse uma vez Georgi Vins.
Georgi foi um cristão perseguido da terceira geração. Seu pai, Jacob Wiens, era missionário para os russos nativos da Ucrânia. A perseguição dos czares, no século 19, o forçou a fugir para a Sibéria e, depois, para os Estados Unidos.
O pai de Georgi, Peter, seguiu o exemplo do ministério de Jacob. Seu ministério em Moscou e na Sibéria foi marcado pela perseguição sob o governo de Stálin. Sua primeira prisão aconteceu em 1930. Depois de cumprir três anos de prisão em campos de trabalho forçado, Peter foi temporariamente exilado na Sibéria.
Quando foi preso pela segunda vez, os cristãos, intimidados pela polícia secreta, testemunharam contra ele. Embora Peter tivesse certeza que seria preso, a polícia o libertou. Mas sua liberdade foi curta. Ele foi preso novamente em 1936, e depois executado na prisão.
Georgi tinha oito anos quando seu pai foi preso pela última vez. Já adulto, tornou-se um dos líderes batistas da Rússia. Enquanto isso, o premiê soviético Nikita Krushchev aprovava várias leis antirreligião que restringiam a já limitada liberdade dos cristãos. Uma vez que as igrejas legalizadas eram controladas pelo governo, Georgi rompeu com as igrejas oficiais e formou sua própria congregação subterrânea.
Os mártires cristãos – as pedras ocultas da nossa fundação – preferem antes sofrer a morte do que negar a Cristo ou a Sua obra… sacrificam coisas muito importantes para promover o Reino de Deus… suportam grande sofrimento pelo testemunho cristão
Em 1966, Georgi se juntou a uma manifestação pacífica em Moscou, contra o controle do estado sobre as igrejas. Ele foi preso e sentenciado a três anos de trabalho forçado. Depois de sua libertação, ele continuou a pregar secretamente.
Foi preso novamente em 1974 e sentenciado a cinco anos de trabalhos forçados, seguidos por mais cinco anos de exílio da União Soviética.
Depois de sua libertação, perdeu sua cidadania soviética e foi exilado nos Estados Unidos. Morando agora em Elkhart, Indiana, ele continuou a ajudar os irmãos russos através da Ministério Evangélico Russo Internacional. Como seu pai e seu avô, Georgi Vins sofreu voluntariamente pela causa de Cristo até sua morte, em 1988.
Fonte: Voz dos Mártires