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A VOCAÇÃO DE DAVI E A CRISE NA LIDERANÇA EVANGÉLICA NOS DIAS ATUAIS

por Altair Germano,  Vice-Presidente do Conselho de Educação e Cultura da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB)

O estudo sobre a vida de Davi é algo de bastante valor. Sua humanidade, complexidades, virtudes e vicissitudes, conquistas e fracassos, acertos e erros, nos revelam as contradições do ser humano em toda a sua plenitude. Ser humano que apesar de imperfeito, não cessa no jornadear em direção a vontade de Deus, buscando de todas as formas, com todas as forças e intensidade agradá-lo.

Davi é ungido, rei, filho, marido, pai, mas, acima de tudo humano, demasiadamente humano.

1. O CONTEXTO DA CHAMADA DE DAVI

O contexto histórico, o cenário em que Davi é chamado por Deus, nos remete para alguns acontecimentos e condições que passaremos a brevemente delinear.

- É um momento de instabilidade Espiritual. O livro de Juízes nos relata claramente essa realidade através dos altos e baixos do povo em sua disposição (ou não) de obedecer a Deus;

- É um momento de instabilidade Moral. Todo declínio espiritual desencadeia naturalmente um certo relativismo ético e moral. Dessa forma, é comum em ambiente de baixo fervor espiritual se perceber uma alto índice de imoralidade;

- É um momento de instabilidade Política. O fortalecimento do poderio militar das nações vizinhas, agregado (principalmente) a atitude rebelde do povo, promovia uma condição vulnerável e instável em termos de segurança e autonomia.

2 - UMA LIDERANÇA EM CRISE

A crise na liderança fica evidenciada claramente no texto de 1 Sm 8. 1-3:

"Tendo Samuel envelhecido, constituiu seus filhos por juízes sobre Israel. O primogênito chamava-se Joel, e o segundo, Abias; e foram juízes em Berseba. Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e aceitaram subornos, e perverteram o direito."

Os filhos de Samuel não aprenderam com o bom exemplo do pai. Filhos de bons líderes nem sempre alcançam a excelência da liderança. Em vez de se inclinarem para fazer a vontade de Deus "se inclinaram à avareza, e aceitaram subornos, e perverteram o direito".

Diante deste quadro, a primeira atitude dos anciãos de Israel foi a de mudar o modelo da liderança da igreja:

"Então, os anciãos todos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá, e lhe disseram: Vê, já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações." (1 Rs 8.4-5)

O atual modelo de governo, para eles, não funcionava mais. Vale aqui destacar, que nem sempre a mudança do modelo é a solução para as crises na liderança. Em muitos casos, é nas pessoas que lideram, e não no modelo de governo onde reside o problema. É preciso bastante cautela e buscar a direção de Deus na hora de tão importante decisão.

Nos dias atuais, pentecostais, tradicionais, reformados e outros segmentos evangélicos reclamam do modelo, quando geralmente o problema está na liderança.

Mudaram o modelo para o governo monárquico, mas os problemas não cessaram.

É nesse contexto que o povo pede um rei, entendendo que de alguma forma isto fortaleceria o status e promoveria certa segurança nacional (1 Sm 8.1-22). Conforme as exigências do povo Saul é escolhido (1 Sm 9.1-27).

3. UM LÍDER EM CRISE

A postura, as atitudes, as decisões e os comportamentos de Saul sinalizam um líder instável e em crise. Neste ponto da Lição Bíblica é interessante comparar a crise de liderança de Saul com a atual e dura realidade na vida de alguns líderes:

- É uma crise Espiritual. Crises espirituais resultam de negligência em nossa relação com Deus e sua Palavra. Na desobediência à sua vontade:

"Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei. Então, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o mandamento do SENHOR e as tuas palavras; porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz. Agora, pois, te rogo, perdoa-me o meu pecado e volta comigo, para que adore o SENHOR. Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei contigo; visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, já ele te rejeitou a ti, para que não sejas rei sobre Israel. Virando-se Samuel para se ir, Saul o segurou pela orla do manto, e este se rasgou. Então, Samuel lhe disse: O SENHOR rasgou, hoje, de ti o reino de Israel e o deu ao teu próximo, que é melhor do que tu." (1 Sm 15.22-28)

Tais crises são geralmente precedidas por uma certa acomodação na leitura devocional da Bíblia, na oração, na contemplação, no relacionamento íntimo e na amizade com Deus.

Uma liderança mais apegada com o fazer em detrimento do relacionar-se, mais apegada com o ter (poder e posses) em detrimento do ser, mais apegada às coisas em detrimento das pessoas, mais apegadas ao cargo em detrimento das tarefas, mais determinada em sucumbir às pressões do povo do quem fazer a vontade de Deus, certamente vivenciará e agravará momentos de crises. Estamos em crise no Brasil. A postura de uma grande fatia da liderança evangélica cristã nos revela e comprava esta verdade. O Senhor está rasgando alguns "reinos evangélicos" nos dias atuais. Não demorou muito para espíritos malignos viessem a atormentar Saul (1 Sm 16.14-15);

- É uma crise Moral e Ética. Neste nível, desencadeada pela crise espiritual, os valores pessoais são invertidos, o certo é tido como errado e o errado como certo. Valores culturais, sociais e morais do tipo família, casamento, amizade, honestidade, fidelidade e outros, são dia após dia relativizados e banalizados. A liderança, desta forma, vai perdendo a sua autoridade espiritual e moral, qualidades essenciais no líder cristão verdadeiramente vocacionado por Deus:

"Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo." (1 Tm 3.1-6)

- É uma crise Emocional. A alta carga de trabalho e responsabilidade estão acabando (em alguns já acabou) com a saúde emocional de nossos líderes. O stresse, com todos os seus efeitos colaterais (fadiga, mau humor, irritação, insônia, dor de cabeça etc.), as pertubações mentais, a ansiedade, os temores, a angústia, a depressão, a síndrome do pânico, a bipolaridade temperamental e outros males, acabam por fragilizar o líder tornando-o incapaz de lidar com o povo e consigo mesmo:

"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes." (1 Tm 4.16)

- É uma crise relacional. Os problemas emocionais acabam afetando as relações interpessoais, onde muitas vezes o líder transfere para aqueles que o cercam (família, amigos, liderados) as suas mazelas. Tal situação tende a ficar insustentável. A falta de saúde e equilíbrio emocional descredencia o líder vocacionado por Deus. Saber relacionar-se é imprescindível:

"e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);' (1 Tm 3.4-5)

"Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza. Honra as viúvas verdadeiramente viúvas." (1 Tm 5.1-3)

Líderes em constante e aguda crise não se sustentam por muito tempo (a não ser em regimes absolutistas e ditatoriais). Muitos que hoje se mantém nos cargos, mas, já perderam a liderança. Deixaram de ser seguidos para serem temidos, deixaram de ser amados para serem odiados, deixaram de ser aceitos e foram rejeitados.

São nestes momentos e condições que Deus interfere soberanamente na história, destituindo e estabelecendo lideranças, promovendo um novo líder para substituir aquele cuja disposição do coração em muito se afastou do Senhor, da sua vontade, da sua Palavra.

Foram por estas razões que Saul foi reprovado e rejeitado (1 Sm 13.14; 15.26-28) e Davi levantado como o novo líder da nação (1 Sm 16).

4. A VOCAÇÃO DE DAVI

Em termos etmológicos, César (2002, p. 19), em sua obra "Vocação, perspectivas bíblicas e teológicas", ele nos informa que o termo "vocação" na literatura neotestamentária tem origens gregas no verbo kaleo (chamar, nomear convocar, cf. Ef 4.1) e suas variações, o substantivo klêsis (vocação, chamado, convite, cf. 1 Co 1.26) e no adjetivo kletós (chamado, convocado, cf. Rm 1.6). Esses termos podem ser usado no sentido de vocação precedente da parte de Deus para a salvação e para o serviço.

Em termos conceituais e teológicos, Leon Dufour (apud CÉSAR, Idem, p. 20-22) define vocação como:

"[...] o chamado que Deus dirige ao homem a quem Ele escolheu para si e que destina a uma obra especial no seu plano de salvação e no destino do seu povo. Na origem da vocação há, portanto, uma eleição divina; no seu termo, uma vontade divina a cumprir."

A vocação de Davi estava fundamentada:

- Na graça de Deus (2 Tm 1.8-9). Por sua graça Deus não nos escolhe com base em nossos méritos pessoais, mas, fundamentado em seu favor imerecido.

- Na soberania de Deus (Is 44.1-2). Por sua soberania Deus nos escolhe por ser Senhor absoluto sobre todas as coisas. Ele manda e não é mandado, estabelece e não é removido, diz e faz.

- Na determinação de Deus (Sl 139.16). A determinação de Deus está associada a sua soberania. Os nossos dias estão escritos em seu livro. Cabe a nós conhecer a sua vontade e livremente escolher obedecê-la.

- No conhecimento de Deus sobre nós (Jr 1.5). O conhecimento de Deus implica em Ele saber coisas sobre nós, da nossa disposição em amá-lo, serví-lo, buscá-lo, obedecer-lhe, apesar se sermos quem somos, apesar de nossas fraquezas, de nossas instabilidades e limitações.

"[...] a vocação de Davi fez parte da vontade de Deus, que na sua soberania e presciência escolhe a quem quer para a realização dos seus desígnios. Nada está fora do seu controle e nada acontece sem a sua permissão. Mesmo em mei às crises e reveses da vida. Ele continua sendo Senhor da história" (JOSÉ GONÇALVES, Lições Bíblicas, 4º Trimestre/2009, p. 8, CPAD)

FONTE: Prazer da Palavra  

O líder e a ética - uma reflexão contemporânea

DEFINIÇÃO GERAL

O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa) portanto ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade.

A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos.

Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Num país, por exemplo, sacrificar animais para pesquisa científica pode ser ético. Em outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos estabelecidos.

Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe também a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste sentido, podemos citar: ética médica, ética de trabalho, ética empresarial, ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, ética do professor, ética do líder entre outros.

Uma pessoa que não segue a ética do grupo ou sociedade a qual pertence é chamada de antiética, assim como o ato praticado.

UMA LEITURA CRISTÃ SOBRE ÉTICA

O pastor e escritor Lourenço Stélio Rega, também diretor da Faculdade Teológica de São Paulo explica que a ética cristã já existe. “É a visão a partir da interpretação dos textos bíblicos, mas é um tema pouco presente na agenda de prioridades das igrejas.”

A raiz do problema começa com o desconhecimento até do significado da palavra. As pessoas decidem de acordo com a situação vivenciada. Não levam em consideração um conceito definido como certo ou errado. Ou seja, prevalece o interesse pessoal.

O escritor Stanley Grenz no livro A Busca da Moral, da Editora Vida afirma que o mundo vive no meio de uma crise de moralidade e que há um declínio da influência da Igreja na sociedade ocidental. Uma questão para refletir: Estariam as igrejas evangélicas, suas instituições e ministérios vivendo uma crise de ética?

John Maxwell no livro Ética é o Melhor Negócio, da Editora Mundo Cristão, escreve que as pessoas fazem uma opção antiética por três razões. A primeira é porque agem de acordo com a conveniência. Se uma mentira favorece, a tendência é optar por esse caminho. A segunda é que nunca jogam para perder. “Poucas pessoas se sentem confortáveis com a idéia de serem desonestas, mas ninguém gosta de sair perdendo”, afirma o autor. Por último, as pessoas relativizam as escolhas. Optam em fazer aquilo que é certo de acordo com as circunstâncias. Maxwell continua: “Cada um segue seu próprio padrão ético. Enquanto, no passado, nossas decisões eram baseadas na ética, hoje é nossa ética que se baseia nas decisões que tomamos. Se é bom para mim, então é bom." Fujamos da ética baseada no conceito tipo “você decide”.

TEXTOS PARA CONSULTA: Jz 17.6; 17.7-9; 21.25.


FONTES: Instituto Jetro - SuaPesquisa


Pb. Robespierre Machado
pesquisa, organização do texto & palestra
Tancredo Neves II – outono, 2010

Sobre mudanças radicais

Max Gehringer escevendo na Revista Época de janeiro desse ano sobre mudanças radicais na carrreira profissional entre outras coisas afirmou:

"Mudanças radicais de rumo podem funcionar, desde que sejam feitas de modo racional, e não emocional. Por isso, quatro erros precisam ser evitados.

O primeiro: não mude só porque você não gosta de sua empresa ou de seu chefe.

Segundo: não mude só porque você conhece alguma pessoa que parece feliz fazendo o que você está pensando em fazer.

Terceiro: não mude sem entender muito bem as exigências da nova carreira.

E o quarto: não jogue fora o que você já conseguiu. Pense na mudança como um projeto progressivo, e não imediato"

"Sempre há tempo para mudar e recuperar o tempo perdido. Mas mudar sem um planejamento adequado pode resultar em mais perda de tempo"

Uma palavra inteligente, um aviso aos navegantes.

As duas pulgas por Max Gehringer

É claro que tenho plena consciência do momento desconfortável que atravessamos, enquanto instituição, mas nada nos impede de darmos umas boas risadas, aliás nos faria muito bem. Quando o li o texto do Gehringer, do qual faço um re-post aqui no blog, fiquei pensando: Será que essa coisa toda de pulgas, lesmas, cães e outros representantes do mundo animal tem alguma similaridade com toda nossa problemática atual?

Quero concluir essa apresentação com as palavras do pastor Dário Gomes, postadas a algum tempo em seu blog "É preciso refletir se nossas ações promovem uma contribuição positiva para a reflexão do povo evangélico e se estamos abençoando a igreja"

Bem, ler, refletir e rir é a proposta. Tenha uma boa leitura! Desejando comentar esteja a vontade. A sua opinião será sempre bem vinda.

Pierre

Muitas empresas caíram e caem na armadilha das mudanças drásticas de coisas que não precisam de alteração, apenas aprimoramento. O que lembra a história de duas pulgas.

Duas pulgas diretoras estavam conversando e então uma comentou com a outra:

- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

Elas então decidiram contratar uma mosca para treinar todas as pulgas a voar e entraram num programa de treinamento de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:

- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele, e ele nos pega. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.

Elas então contrataram uma abelha para lhes ensinar a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu... A primeira pulga explicou por quê:

- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.

E então um pernilongo lhes prestou treinamento para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos.... Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou:

- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plásticas?

- Não, entramos num longo programa de treinamento. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.

- E por que é que estão com cara de famintas?

- Isso é temporário. Já estamos fazendo treinamento com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar, de modo a perceber, com antecedência, a vinda da pata do cachorro. E você?

- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha:

- Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em um programa de treinamento, em uma reengenharia?

- Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora.

- Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas, quiseram saber as pulgonas...

- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse: "Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança".

MORAL DA HISTÓRIA:

Você não deve focar no problema e sim na solução.
Para ser mais eficiente é necessário escutar mais e falar menos.
Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento.

Estou cansado!

Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim
é pastor da Assembleia de Deus Betesda em São Paulo

FONTE: http://lideranca.org

Profecia Para os Pregadores da América (e do Brasil)

Cindy de Ville
Tradução:João A. de Souza Filho

O juízo de Deus está chegando aos púlpitos da América.

O Senhor diz:

O zelo da minha casa me consome, diz o Espírito de Deus! O amor por meu povo toma conta de todo meu ser. Portanto, começarei; sim, começarei, diz o Espírito, a limpar a minha casa. Vou trazer juízo. Vou subir nos púlpitos da América! Meu temor atingirá a todos os que se dizem possuidores dos cinco ministérios, e muitos se envergonharão do que farei com eles.

Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres sentirão o meu juízo. Os que falam em meu nome e têm pecados escondidos, verão o que farei por eles, repentinamente. Os que pensam que podem continuar a viver em pecado, em serem meus porta-vozes, pisando nos lugares santos, usando a máscara do engano, verão o meu juízo! Agirei como um terremoto, e sacudirei a todos!

Não tolerarei mais o pecado. Chega, chega! Diz o Espírito do Senhor. Porque entrarei no meu templo com grande ruído. Minha casa voltará a sentir o temor e o tremor, porque confrontarei e removerei os pecados dos que usam os púlpitos para pregar. Alguns servirão de exemplos para os demais, como o foram Ananias e Safira. Tudo o que pode ser sacudido, tremerá! Porque terei uma nação santa, um povo separado. Terei uma igreja gloriosa, e afastarei tudo e todos os que se interporem em meu caminho. Este é um novo tempo.

Você clama e diz: Misericórdia, misericórdia, graça e graça, pensando que eu perdoarei o seu pecado oculto para que você continue a viver em rebelião! Não mais terei misericórdia! Suas lindas palavras não têm valor algum diante de mim; porque estou vendo suas obras!

Vocês têm pisoteado a minha graça, zombam de minha misericórdia, ensinam essas coisas ao povo e este vem envergonhando o meu nome. Agora, o meu povo acha que não faz mal pecar. Vocês abriram a porta de meu santuário e o infectaram de pecado. Fizeram de minha casa, a igreja, uma desgraça. O pecado está destruindo meu povo, minha igreja e destruindo sua nação.

Estou cheio de vocês! Não os agüento mais! Agora, é sem misericórdia e sem graça, porque vocês se achegam à minha presença com seus lábios, mas seus corações estão longe de mim. Não percebem que eu vejo tudo? Vocês não podem me enganar como enganam o meu povo, porque sou o Senhor e vou tratar com vocês.

Santo eu sou e meu santuário é santo, e terei um povo santo que carregará sobre ele minha glória. Serão povo santo para mim, portanto removerei tudo o que é impuro. Eu levanto e eu derrubo. Removerei o apóstolo, o profeta, o pastor, o mestre e o evangelista do meu púlpito, porque esses que se dizem ter os cinco ministérios estão violentando minha casa, a igreja.

Chega! Diz o Senhor. Meu juízo virá sobre os púlpitos da América. Julgarei, purificarei e limparei. O que eu vejo vocês fazerem em segredo, revelarei em público. Exporei ao povo os seus pecados.

Vocês enganam o meu povo, mas não a mim, diz o Espírito de Deus, porque vejo todas as coisas. Tenho visto o que vocês fazem a portas fechadas, e lhes digo: Chega! Porque o juízo está às portas. Já chegou!

Essas não são meras palavras. Fiquem atentos ao que lhes digo. Minha palavra se cumprirá e vocês passarão a me temer novamente. Estou chegando para tratar com os pecados da América; estou chegando para tratar com todos vocês.

Portanto, advirto: Não subam no púlpito com pecados ocultos, porque vocês poderão não viver no dia seguinte. Farei do meu jeito, diz o Espírito de Graça. Isto não é um jogo! Toda a terra conhecerá o meu nome!

FONTE: http://www.pastorjoao.com.br

A força que empalidece Deus

O Apóstolo Paulo, buscando legitimidade diante da igreja de Roma, não se coloca atrás de seu currículo, nem de seu desempenho, mas do evangelho. “Na verdade, eu não me envergonho do evangelho: ele é a força de Deus para a salvação de todo aquele que crê, em primeiro lugar do judeu, mas também do grego.”(Rm 1.16) Barth, em seu comentário da Carta aos Romanos afirma que o evangelho não se coloca em polêmica com nenhuma doutrina contrária, não disputa credibilidade com teorias, ou descobertas científicas: “o evangelho não é uma verdade ao lado de outras verdades, mas é a verdade que questiona todas as demais verdades. O evangelho é a dobradiça e não a folha da porta.” Ou seja, o evangelho não tem que ser colocado no palco, não está carente de voz.

Deus não está atrás de marketeiros para o seu evangelho. A igreja não é uma agência de publicidade contratada por Deus para tornar o evangelho vendável, ou mesmo assimilável.O evangelho não precisa ser defendido. Não precisa de apologistas. Porque o evangelho é a força de Deus. Um evangelho que propõe salvação vinda de Deus, mas depende da habilidade comunicativa, ou da ciência persuasiva de quem quer que seja é um evangelho vergonhoso. Barth novamente: “O evangelho não precisa ser defendido nem suportado ou carregado: É ele que defende e suporta aos que o proclamam.”

O nosso evangelho atual é vergonhoso. Preocupo-me com grandes movimentos cristãos fincados na mídia eletrônica, ou mesmo em uma metodologia de divulgação como um “marketing de rede”. Merece confiança a expansão de um evangelho dependente de estratégias de comunicação? Este evangelho é vergonhoso porque já nasce fadado ao fracasso.

Um evangelho sujeito à lógica de mercado, que apenas tem êxito se articulado com as ferramentas mercadológicas está fatalmente em desvantagem. Um evangelho sem o poder de Deus é opaco, moralista, sem graça, morno, insosso. Não tem chance de ser real se colocado em disputa com as religiões, teorias e entretenimentos da vida “aquém ressurreição”(Barth), todos forjados para a satisfação de um indivíduo insaciável. A evangelização com um Deus forte tem que ser fraca. Despretensiosa. Um evangelização explosiva e forte termina, cedo ou tarde, com um deus pálido.

O apóstolo deixa claro que seu orgulho pelo evangelho que proclama se deve ao que é em essência: ressurreição, o poder de Deus interceptando a história humana com salvação. A adrenalina do evangelho não se origina no carisma ou recursos tecnológicos capazes de superventilar as pessoas. Mas está na manifestação poderosa de Deus em Jesus, através do seu Espírito derramado sobre todo o que crê. Vivenciar o fato do evangelho a despeito de métodos é tudo o que Deus espera de nós.

Um evangelho midiático e tecnologizado que deixou, portanto, de ser sustentador da vida humana para ser por ela sustentado, desvirtua seus propósitos. Na ânsia de juntar adeptos, espalha-se, mas encolhe a glória de Deus. Fortalece instituições cristãs, mas empalidece o deus que revela. Este evangelho vergonhoso cria uma geração subnutrida e o pior, alimenta vigorosamente um não cristianismo.

O secularismo não é a maior religião sem razão, mas porque se alimenta deste evangelho em que Deus é mero detalhe, ou a mercadoria empacotada pelas estratégias de difusão. Não é chamativo que não haja registros importantes dos sem-religião, de movimentos de negação da existência de divindades, tão intenso quanto nas sociedades cristãs?


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