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PERGUNTAS A ME FAZER QUANDO CRITICADO

Perguntas a Me Fazer Quando Criticado.

1. Por mais que o caráter e as motivações do criticante tenham algum ponto errado, porventura há alguma verdade nesta crítica, a partir da qual eu posso aprender,
me corrigir, ser edificado, crescer, melhorar?

2. Porventura minha rejeição a essa crítica não se deve (pelo menos em parte) a
uma ponta de orgulho ferido, dentro do meu coração?

3. Estou reconhecendo que mesmo a crítica indelicada, agressiva, cruel (e até falsa) é muitas vezes uma ferramenta de Deus para formar o meu coração para Ele?

Hélio de Menezes 

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

Recebi outro dia e-mail de um amigo com esse título e autoria atribuída a certa personalidade nacional. Pesquisei na rede e descobri um grande debate sobre autoria, texto e autor original, coisas da web.

Bem, voltemos ao texto. Lendo logo lembrei do salmista quando recorreu a DEUS para que lhe fosse dada sabedoria, inteligência mesmo, para conduzir os seus dias sobre a terra visto serem eles tão breves "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios (Salmo 90.12)" foi a oração necessária àquele momento.

Para hoje além da oração citada creio firmemente que devemos acrescentar outra advertência bíblica "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus (Efésios 5.16,17)".

Apreciemos o valioso tempo dos maduros. O tempo foge.

Boa leitura.

Tempo que foge!
Ricardo Gondim

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: - Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.

Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Soli Deo Gloria

Rebanho ou Curral?

Em julho do ano passado o André Diniz publicou em sua página pessoal no Spaces um inteligente e reflexivo texto sobre evangélicos e política no Brasil. Transcrevo-o aqui, na Etiqueta - Textus Selectus - na integra desejando que aos leitores desse blog, e outros, o mesmo provoque uma inteligente e profunda dicussão sobre o tema verbalizado.

Boa leitura!!

Um rebanho é um conjunto de animais livres, que orienta o seu caminho por meio de um pastor que, com habilidade e maestria, o faz percorrer pelos melhores pastos e descansar nas melhores paragens. Um curral, de outro modo, é um conjunto de animais que se encontra trancafiado em cercas, dividindo pouco espaço e se debatendo uns contra os outros. Num rebanho, há variedade e ao mesmo tempo consenso, enquanto que num curral há amorfia e uma coerciva concordância.

As duas condições se referem aos animais, mas também podem ser consideradas como símbolos da situação da própria igreja, principalmente no que se refere ao posicionamento político. Todas as vezes que alguém menciona os evangélicos no Brasil o faz como se falasse de um grupo pronto a receber imposições e a adotar uma opinião irrefletida.

Pelo menos é o que parece quando se escuta políticos como Marcelo Crivela e Anthony Garotinho. Os dois se avocam como líderes evangélicos capazes de convencer (ou converter) multidões de eleitores a votar em quem quer que seja. Não é à toa que o presidente Lula, em preparação para a campanha política deste ano, tentou se aproximar dos dois, como relatou ultimamente a imprensa.

E talvez o leitor me pergunte se de fato estes políticos não possuem este poder? E, de fato, eu não posso negar. O que eu não posso, porém, é consentir. Não posso concordar com a repetição de um erro histórico que marca a cultura política latino-americana. Em Democracia Delegativa, o cientista política Guilherme O´Connell aponta a construção de um sistema representativo de cima para baixo, pouco eficiente e instável. E, quando analisamos o comportamento político evangélico, podemos radiografar com perfeição este sistema.

O objetivo de muitos evangélicos é o de se apropriar do poder, mesmo que sem qualquer projeto político, mesmo que sem qualquer pauta pré-definida ou pré-acordada com grupos de base. Simplesmente, “coroamos a um suposto Davi”, esperando que isto cumpra os desígnios de Deus para a nação. Quanta ingenuidade há nesta postura.

Enquanto não houver organização de pautas, não houver mobilização de base e enquanto o candidato for apenas um visitante na igreja, avançaremos pouco. Neste sentido, cabe aos segmentos reformados brasileiros um mea-culpa. Com quase um século de presença efetiva no Brasil, pouco fizemos. Quase sempre nos alienamos do debate político, adotando a posição de vítimas diante da “esmagadora maioria católica”.

Na Europa e nos Estados Unidos, os protestantes construíram um sistema de representação coerente, com forte elo entre a prática e o discurso. Lá, os políticos nada mais são do que “fantoches” nas mãos de uma maioria organizada e fiscalizadora, enquanto que aqui ocorre exatamente o inverso. Somos uma massa de fantoches pronta a baixar a cabeça ou a aplaudir entusiasticamente ao “homem de Deus”. O famoso ditado de que cada povo tem o governante que merece, parece valer. Enquanto nos comportarmos como um curral, continuaremos encurralados.